Amortentia
Amortentia
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Era difícil descrever a agitação dos alunos durante os últimos meses. Desde que o baile em comemoração à derrota de Voldemort fora anunciado, e que este aconteceria no local da vitória – Hogwarts – os alunos deram ao castelo um burburinho extra, visto que era uma época em que todos estavam voltados, principalmente, aos exames finais. Até mesmo os funcionários estavam sendo tomados pela ansiedade. Paralelamente, a preocupação de McGonagall continuava. Não queria que o baile promovido pelo Ministério desviasse a atenção dos alunos aos estudos, entretanto, como o baile – se os professores não lhes permitissem grande abstração – poderia ser até mesmo um estímulo, além disso, a oferta para sediar o baile possibilitava que a escola reparasse os últimos danos que ainda restavam no castelo desde a batalha fez com que os diretores – McGonagall e principalmente Snape – e o conselho aceitasse a oferta.
A última visita a Hogsmeade seria uma semana antes a do baile, e entre as alunas o pensamento principal seria quais roupas elas usariam. Até mesmo Elisa Sholkys fora vista na Trapobelo Moda Mágica olhando os vestidos.
O castelo havia tempos que não parecia tão cheio, com tanta vivacidade. Enquanto grande parte dos funcionários do Ministério revisava o alto sistema de segurança, outros decoravam o grande salão naquele sábado. Algumas garotas arriscavam-se a andar com o cabelo repleto de bobes e papelotes, a maioria encontrava-se reclusa nos banheiros preparando-se. Os convidados selecionados para o evento eram principalmente aqueles que tinham grande colaboração para a vitória (motivo pelo qual o ministério insistia para que fosse na escola, visto que grande parte dos alunos participaram), além de membros da alta sociedade bruxa.
Snape estava sentado na poltrona da sala de McGonagall ouvindo o próprio Kingsley assegurar que ninguém passaria pela segurança dos aurores, enquanto Dumbledore batia palmas alegremente pela festança. Estava farto de todo aquele assunto, quase ao ponto de arrepender-se de ter concordado com tudo. Estava quase aleatório a conversa quando depois de bater a porta, Lauren entrou cumprimentando a todos. Ela estava encarregada de conferir a decoração, e a organização do Salão Principal.
Kingsley usou a lareira para voltar ao Ministério, despedindo-se de forma informal a todos, inclusive Lauren, a quem ele chamou pelo primeiro nome, deixando-a sem jeito, o que somente Snape pode ver, já que estava de frente para a lareira e Lauren de costas para McGonagall.
– Minerva, já está tudo pronto no Salão Principal. Você precisa de minha ajuda para outra coisa?
– Não querida. Não se preocupe. Você já deveria estar aprontando-se para o baile – Minerva falou com um brilho no olhar, deixando claro que ela completaria a frase, se Snape não estivesse ali.
– Na verdade, eu ainda pretendo deixar os diários de classes prontos para segunda. Só faltam dois e…
– Por Merlin, Lauren, deixe isso para amanhã – Minerva sugeriu
– Oh, não. Amanhã eu penso em… – Lauren olhou rapidamente para Snape, ponderando se contaria também para ele seus planos – ir ver os nossos visitantes da floresta.
– Ah, é claro. Você vai ver como são belos. – Dumbledore interveio – Mas tenho certeza que eles poderão esperar mais um dia…
Para a curiosidade de Snape, Lauren apenas sorriu e não revelou o que faria sozinha na Floresta Proibida, não somente pelo fato de a floresta já ser perigosa em si, mas também não esquecer rapidamente do que passou naquele lugar. Não obstante ele teria a chance de descobrir em breve o que ela faria. Um dos diários que faltava era o dele, e ela teria que ir até sua sala para pega-lo.
– Snape? – Lauren chamou-o – Será que você poderia me entregar o diário de classe?
– Eu já estava indo para as masmorras, me acompanhe.
– Snape, – Dumbledore chamou sua atenção e completou a frase sem esperar resposta – Não tome muito tempo da Srta. McKinnon – falando em um misto de mistério e sorrisos.
Snape lançou-lhe um olhar profundo e frio. O que aquele velho sabia sobre eles? Lauren teria contado a McGonagall que eles haviam de beijado? Entretanto sua dúvida desfez-se por ver que McGonagall nem prestara atenção. Seguiram pelo corredor e, ao chegar na sala de Damon ela pediu a Snape que a esperasse por um minuto, pois pegaria o outro diário que faltava. Ela bateu na porta, disse o que queria, e entrou, deixando-a aberta. Snape não fora visto por Damon, pois ficara afastado da porta. Eles não trocaram nenhuma palavra sequer e quando voltou, Lauren suspirou leve e discretamente fazendo entender o por que. Snape havia ouvido Damon dizer a McKeys que se tivesse a oportunidade a convidaria para ir ao baile. Era por isso que ela havia deixado para pegar o diário de classe dele por último, visto que o de Snape ela sempre pegava no sábado à tarde, uma vez que ele só conseguia terminá-lo no último prazo.
– Algum problema Lauren… – ele ainda a chamava pelo primeiro nome de forma irônica – McKinnon?
– Não – ela sorriu timidamente, mas sincera – Nenhum problema.
“Merlin” – Snape pensou. A atração que sentia por ela estava chegando a um limite em que nem mesmo sua paciência era capaz de chegar. A lembrança daquele beijo impulsionara inúmeros sonhos e só fizera aumentar o desejo pelo contato de seus corpos. Pensar na pele dela, que ele vira naquela noite, em seus corpos juntos, colados de encontro à parede de sua sala ressurgia cada vez que ela fazia aquela expressão. Fora o mesmo sorriso que ela fizera quando eles se beijaram, curvando os lábios levemente entreabrindo-os logo depois, enquanto seu olhar ficava momentaneamente distante, em alguma lembrança sem grandes empolgações, contrariando o clima da escola. Desejava-a de forma tão intensa que costumava observá-la na sala dos professores, quando tinha certeza que ninguém o observava, disfarçando o olhar a um livro.
O que mais incomodava Snape era o fato de Lauren retribuir de alguma forma aquele desejo. Ela também costumava olhá-lo, especialmente através do reflexo do vidro do armário que ela esquecia propositalmente aberto. Ela havia sido franca com ele, ela fora até ele falar-lhe que estava disposta a ter um relacionamento. Mas depois que acabasse ele não estaria disposto a conviver com ela (e provavelmente nem ela). Estariam presos naquela escola até o final da sentença. Snape já havia mudado de idéia quanto a insistir que ela anulasse o veredicto. Hogwarts era de fato muito melhor que Azkaban. Entretanto, não era esse o motivo principal pelo qual ele não havia aceitado a proposta dela e conseqüentemente pedido a ela que esquecesse, ao menos não completamente. Sua contradição entre o desejo que sentia e o pedido que fizera a ela era motivo pelo sentimento que ainda estava fortemente gravado em sua memória. A lembrança de Lílian ainda permanecia, tanto quanto antes. E era por esse sentimento mais forte que qualquer outro, que ainda regia sua vida que ele não tinha permitido que Lauren se aproximasse dele.
Eles seguiram em silencio, tocando apenas algumas frases sobre os alunos até a sala, onde ela pegou o diário de couro marrom surrado e colocou em cima do de Damon que ela havia colocado sobre a mesa.
– Ouvi Sprout comentar que você não vai ao baile, é verdade? – ela perguntou sem mostrar extremo interesse na pergunta, observando curiosamente os frascos do armário e olhando para Snape de relance.
– Não. – ele respondeu polidamente – “Interessa a você se eu vou ir?” – completou a frase mentalmente.
– Então, nós nos veremos lá. – ela sorriu diante da afirmativa
– Sim, lá.
A constatação de Lauren de que eles estavam no mesmo lugar onde se beijaram, fez com que um calor atípico lhe subisse às maçãs do rosto, paralelo a um arrepio nas costas e no ventre que a fez contrair os músculos. Pensou com certo gosto pela idéia, se ele também se recordaria e se talvez não quisesse repetir. Mas não – ela abnegou o pensamento – ele não era romântico e tão pouco parecia interessado em beijá-la novamente. Ainda sim, mesmo consciente disso, Lauren não conseguia parar de observar Snape durante os dias, seus lábios movimentando-se sorrateiramente, curvando ou crispando-se para pronunciar os e’s e os o’s. E os olhos, embora ela costumasse desviar deles, sempre tão profundos e instigantes, altamente convidativo para Lauren, e capazes de despertar muitas sensações que teimavam surgir, incapaz de fazê-la esquecê-lo, tendo como efeito o contrário, atiçando mais ainda seu desejo de estar com ele.
– Então, até mais. – Lauren pegou os diários e saiu rapidamente da sala
– Lauren? – Snape chamou-a
– Sim? – Ela virou-se tão rápido que sua face não foi capaz de desfazer o rubor do pensamento.
– Espero que saiba que a Floresta Proibida é perigosa demais para dar passeios. – ele falou sem ironias, sério.
– Eu nunca pensei em voltar lá sozinha Snape. – ela falou igualmente séria – Hagrid disse que levaria um unicórnio para que eu pudesse conhecer até a clareira onde dá as aulas. Mas eu realmente duvido que ele permaneça sóbrio depois de conhecer os barris de Whisky de Fogo que trouxeram hoje. – concluiu em um tom de voz mais brando.
– Whisky? – Snape mostrou-se surpreso
– Sim, mas será apenas para as mesas de convidados e funcionários da escola. Também tem Vinho dos Elfos, o dobro de vinho, aliás. Eu agradeço seu conselho Snape. Eu não pretendo chegar perto daquela floresta.
Lauren olhou-o nos olhos e saiu. Quando chegou a seus aposentos deixou os diários sobre o sofá e rumou para o banho. Estava disposta a ir novamente ao baile. Damon não havia insistido tão pouco lhe convidara a ir ao baile com ele, ou melhor, ela não havia lhe dado espaço para fazer o convite, e o mais importante: Snape estaria presente.
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O dia, com a chegada do verão, prolongava-se e quando o entardecer cobriu o céu de um alaranjado incandescente, os alunos começaram a descer e preencher os lugares nas mesas. Apenas os alunos maiores de 15 anos foram permitidos ficar, salvo os menores que haviam sido convidados – que foram muitos devido aos convites forjados – enquanto os outros menores voltaram para suas casas. As carruagens com os convidados chegavam aos grupos. Bruxos vestidos em seus tradicionais trajes de gala preenchiam lentamente o salão principal. Enquanto isso, na pequena sala próxima ao salão principal, os professores e outros funcionários se reuniam, na maioria os homens, bebendo whisky de fogo e conversando. Hagrid já estava parcialmente bêbado quando Minerva adentrou a saleta e retirou de suas mãos a jarra na qual bebia, contorcendo a face para todos ou outros. Snape estava de costas para a porta, falando com McKeys, Flitwick Minerva e Damon, quando ouviu a porta ranger. Não faltavam muitas pessoas a chegar, não precisou, entretanto olhar para trás para descobrir quem era. Tão logo a porta se fechou, todos olharam para a mulher que chegava e, a julgar pela expressão de Damon – que disfarçou rapidamente bebendo os últimos goles do whisky de uma vez só. –, o perfume que sentia levemente preenchendo o ar, era, de fato, de Lauren.
Quando a porta se abriu novamente, Hooch, Sinistra e Vector entraram, completando o quadro de funcionários, com exceção de Trelawney. Snape pode ouvir o grupo de mulheres dizendo a Lauren o quão linda ela estava, mas ele próprio ainda não pudera fazer a constatação. Ele não queria olhar e acabar denunciando sua curiosidade. Foi somente quando Minerva disse que estava na hora, e que todos se dirigiram para a porta que Snape pode virar-se e vê-la.
O vestido que Lauren usava era em um discreto tom de azul marinho, cujo tecido descia até o chão desde a base dos seios, onde o vestido ficava mais justo, realçando os seios através do decote em “v”, também discreto, mas suficiente para mostrar parte central do peito, mostrando a depressão entre os seios. Conforme todos saiam para o corredor, Snape percebeu que Lauren deixava-se ficar para trás. Enquanto todos conversavam e pareciam mais ansiosos para finalmente entrar no salão principal e ocupar seus lugares na mesa, Lauren diminuía o passo lentamente. Ela estava tão concentrada que não percebeu Snape observando-a. Quando chegaram em frente a porta, e os professores começaram a entrar, Lauren deu, definitivamente dois passos para trás, esquivando-se da entrada.
Lauren havia perdido a vontade de ir. Tinha ouvido algumas pessoas comentar sobre ela, que queriam conhecê-la, saber quem era. Detestava ser o centro das atenções, pelo menos daquela forma. Snape percebeu o que ela faria e parou antes que ela acabasse esbarrando nele. Ela encostou-se na parede e respirou fundo com os olhos fechados, parecendo não notar que Snape ainda estava ali.
– Problemas com a popularidade? – Snape disse sério, com um leve tom de ironia
Lauren abriu os olhos surpresa, e olhou-o diretamente balançando a cabeça, censurando-o. Entretanto aquela era a verdade. Não gostava daquela situação, pessoas a olhando, curiosas sobre sua vida. Snape deu um breve sorriso, satisfeito com a resposta dela e, antes de entrar para o salão, virou-se e disse polidamente. – “Foi você quem escolheu isso, McKinnon.” Lauren respirou fundo e entrou logo atrás dele, ignorando a provocação.
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Tão logo entraram e sentaram-se, Kingsley deu as boas vindas a todos com um breve discurso, relembrando os momentos que antecederam a vitória, relembrando os aqueles que morreram que deram suas vidas pela causa, que jamais seriam esquecidos, contando como a vida da sociedade bruxa seria diferente a partir daquele momento, “um tempo de glória e paz”.
Por serem os últimos a chegarem, Lauren e Snape sentaram-se lado a lado, tendo Lauren um lugar vazio ao seu lado que deveria ser ocupado por Trelawney, caso essa decidisse aparecer. Os convidados olhavam curiosamente para a mesa dos professores, entretanto, não era apenas para Lauren que os olhares se dirigiam. Elisa Sholkys, a garota que salvara Snape, também era o alvo das atenções. Não demorou muito tempo para que os primeiros repórteres chegassem. Minerva como diretora fora obrigada a dizer algumas palavras. Nenhum repórter teve coragem suficiente de ir falar com Snape.
Uma repórter, que atualmente conversava com algumas pessoas, colhendo dados para seu livro sobre a batalha final no castelo, terminara de anotar o testemunho de Flitwick, onde ele contava um pouco dos momentos pelo qual passara, virou-se para Elisa e perguntou em um tom de voz consideravelmente alto, fazendo todos na mesa ficarem em silencio.
- Foi muita coragem sua Srta. Sholkys, arriscar sua vida diante Daquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Contudo – a repórter seguiu seu pensamento diante do silêncio de Elisa – sua bravura – as palavras da mulher fizeram com que Elisa erguesse uma sobrancelha – salvou a vida de uma pessoa que teve um papel muito importante para que Harry Potter pudesse vencer. Como se sente em relação a isso?
O silêncio na mesa permaneceu. Elisa, salvo no julgamento de Snape, não costumava falar sobre o assunto. A repórter aguardava a resposta com sua pena a postos enquanto a garota olhava para o outro lado da mesa, pensando.
- Considerando a importância da pessoa que eu salvei – disse marcando as palavras –creio que meu depoimento será insignificante perante o do Sr. Snape. E nem pense em colocar no seu livro, o que acabou de escrever nesta caderneta.
A repórter olhou para Snape, na esperança de que ele falasse alguma coisa, mas do contrário ele apenas a observou enquanto bebia mais um gole de seu whisky. Elisa, por sua vez, fingiu que nada havia acontecido e continuou conversando com Séptima Vector.
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O grande salão teve suas mesas dispostas nas laterais, deixando o centro do salão livre para que as pessoas dançassem ao som da banda que tocava sonoramente. Alguns professores e adultos arriscavam alguns passos, enquanto os mais jovens esperavam pelas músicas mais agitadas. Elisa observava os músicos distraidamente. Estava alheia as conversas na mesa, quando um jovem bem vestido aproximou-se dela, abaixou-se e estendeu-lhe a mão, quando uma nova música começava. Não era difícil reconhecer um ex-aluno da escola, especialmente quando este era Eric Jones. Elisa sorriu, e segurando a mão do garoto o seguiu até o centro do salão para dançar.
As alunas mais velhas chamavam a atenção uma das outras, comentando que Jones estava na festa, fazendo com que os professores se divertissem lembrando-se da fama que o garoto tinha por sua beleza. Sonserino, formado há três anos, Jones trabalhava no diretório de relações internacionais. Depois da música, foram até os amigos de Elisa, que receberam Jones alegremente, dispensando qualquer rivalidade entre as casas. Quando a música mudou, e os alunos dominaram o centro do salão, Elisa e Eric dançaram mais uma música, e, disfarçadamente, rumaram para fora do salão.
Snape observava as pessoas. Dentre os estudantes que permaneciam no salão, poucos permaneciam sentados, enquanto a maioria dançava ao som de As Esquisitonas. Os professores, em maioria já haviam abandonado a mesa, sentando-se com os convidados. O olhar de Snape terminava de examinar o lado direito do salão quando se encontrou com Lauren. “Merlin” – pensou. Ela estava realmente linda naquela noite.
Lauren, por sua vez conversava com Séptima Vector entre garfadas da torta de chocolate e, foi entre uma das duas ações, que ela percebeu o olhar de Snape sobre si. Olhou-o e sorriu simpaticamente, antes de engolir mais um pedaço da torta. A festa tornava-se cada vez mais entediante para Lauren, proporcionalmente a ausência de conversa. Não conhecia ninguém além dos professores, e as conversas esgotavam-se rapidamente. Não havia sido tão ruim afinal comparecer a festa. Não ao menos depois de todos terem a observado e feito cochichos coberto com as mãos. Ver todos ali dançando animadamente fez Lauren sentir saudades das festas que costumava ir com seus amigos há alguns anos.
Séptima comentava sobre alguns homens da festa, como ficavam elegantes nos trajes tradicionais. Foi então que Lauren olhou para Snape, curiosa para avaliar como ele ficava em tais trajes. Olhou-o, mas não esperava encontrar com o olhar dele. Lauren não conseguiu deixar de sorrir casualmente ao vê-lo. Discreto, Snape usava um terno longo, colete sobre a camisa preta que escondia o lenço de seda da mesma cor amarrado com um nó justo sobre outra camisa – desta vez branca. Não era incomum da parte da parte estar de preto, mas o terno tradicional o deixava mais imponente mais charmoso e… “Sexy” – Lauren riu com o pensamento.
A música seguia um ritmo cada vez mais lento, quase beirando o romântico, quando um homem alto com costeletas bem feitas caminhou em direção à mesa e convidou Séptima para dançar. Restava agora, sentados a mesa apenas Lauren e Snape e o silencio entre os dois permaneceu. A música lenta acalmava os ouvidos e despertava os casais mais românticos, que dançavam no centro do salão. Nas mesas permaneciam apenas aqueles cuja conversa e o whisky parecia-lhes mais agradável que a dança, ou os corredores escuros de Hogwarts.
O salão principal, em certas partes exalava o cheiro forte de charuto e whisky, de onde ainda podiam-se escutar, sobressaltando a música, as risadas exageradas da alta-sociedade bruxa de Londres. Entre as tantas opções, Lauren continuava sentada a mesa, em silencio apenas observando o que se passava. Vector não voltara a sentar-se na mesa, juntando-se a um grupo, e embora tivesse convidado Lauren, esta recusou educadamente. Snape parecia perdido nos próprios pensamentos observando a família de ruivos que preenchia uma das mesas, que Lauren concluiu que deveriam ser os Weasleys. Foi quando as últimas notas da música ecoaram pelo salão, Damon ergueu-se da mesa onde conversava e seguiu em direção a Lauren.
– Me concede a honra da próxima dança – ele disse em tom galante, enrolando a língua levemente para falar, demonstrando a embriagues.
– Não. – Lauren respondeu sem ênfase, não dando atenção ao homem.
– Mas eu queria dançar – ele afastou uma mecha de cabelo do rosto de Lauren – só uma música – ele pediu.
– Sinto muito, mas não. – disse ao afastar o corpo do toque dele – Sugiro que volte para seus amigos. A conversa parecia melhor que a nossa.
– Eu quero ficar aqui. – ele olhou nos olhos dela – Na verdade, queria ficar só com você, se me entende…
Damon falou em um tom de voz baixo, mas alto suficiente e propositalmente para que Snape escutasse. Lauren olhou-o chocada, enquanto Snape assistia à situação, dividido entre rir da insensatez de Damon bêbado, e a vontade de estupefá-lo.
– Francamente Damon, vá se dar o respeito. Dê um fora – ela disse antes que ele dissesse qualquer coisa – Eu-não-quero-ficar-com-você, se é que me entende.
Damon caminhou em direção a saída dos professores. Antes de sumir pelo corredor, ele olhou para Lauren e ela acenou para ele ironicamente, se despedindo.
– Se divertindo, Snape? – Lauren falava rápido, irritada
– Infinitamente. – ele provocou
A resposta de Snape fora suficiente para que Lauren chegasse ao limite de sua irritação e se levantasse para ir embora.
– Vá catar Mandrágoras, Snape. – Lauren disse ao passar por ele
Snape observou Lauren se afastar atravessando o centro do Salão Principal com passos rápidos, que faziam seu vestido balançar para os lados. Ele nunca havia a visto tão brava. Cada nova descoberta que ele fazia sobre ela, a deixava mais interessante.
– Damon conseguiu aborrecer a McKinnon novamente? – McKeys se aproximou, sentando-se em uma cadeira próxima de Snape, pegando um bolinho da travessa no centro da mesa.
– Sim. – Snape respondeu polidamente
– Damon bebeu além da conta, temi que fizesse algum escândalo.
– McKinnon foi direta com ele.
– Eu posso imaginar. Eu me pergunto se você teria um frasco de Tonico contra a ressaca. Esse whisky vai acabar comigo pela manhã.
– No laboratório.
Snape levantou-se e caminhou em direção à porta sem esperar por McKeys. Já não havia motivos para permanecer naquela festa e não viu porque não entregar ao homem um frasco de poção revigorante. Perguntou-se no caminho se Lauren já estaria em seus aposentos ou teria ido para algum outro lugar. McKeys não o acompanhava ou, ao menos não tão rápido quanto ele fora até seu laboratório. Snape mudou de idéia quanto pegar o corredor que passava próximo ao quarto de Lauren, pois um casal de alunos instalara-se naquele corredor e Snape não estava disposto a tirar pontos de sua própria casa.
Lauren ao sair do salão principal foi até a torre de astronomia, a mais alta do castelo, de onde costumava observar o gramado e a floresta proibida, onde não raro, avistava-se trestálios voando entre as árvores. Quando finalmente conseguiu livrar-se da irritação, e esquecer o que havia acontecido na festa, Lauren desceu a íngreme escada e foi em direção a seus aposentos pelos corredores iluminados pelos vitrais.
Foi no corredor das masmorras, porém, que seus olhos encontraram o personagem de seus pensamentos. Snape e Lauren caminham um na direção do outro, na mesma reta. Lauren desviou para o lado para que ele pudesse passar, mas ele fez o mesmo, continuando um de frente para o outro, e de novo. Lauren, levemente divertida pela situação, o segurou pelos braços e inverteram as posições. Snape parecia tenso quando Lauren o olhou, ainda segurando o antebraço dele. Ele mantinha sua cabeça erguida, olhando-a diretamente nos olhos.
Havia o perfume. O mesmo perfume que por muitas semanas Snape tentou esquecer. A proximidade fazia com que o leve aroma de orquídeas invadisse novamente suas narinas, fazendo com que seu corpo respondesse a ela. Foi forçado a admitir novamente, o que tentava negar desde a semana do natal, que desejava aquela mulher, que a queria e que tudo era recíproco.
– Está tudo bem? Algum problema, Snape? – Lauren falava balançando levemente a cabeça.
Lauren o soltou, um pequeno sorriso nos lábios, ele estava diferente, tenso. Foi com surpresa que ela sentiu a mão de Snape segurando seu braço, a impedindo de se afastar.
– Não. – disse ao se aproximar dela, respondendo a primeira pergunta – O meu problema… – pôs a mão livre na cintura dela, puxando-a para perto, aproximando os lábios – é você.
Snape podia sentir a respiração acelerada de Lauren batendo no seu rosto. Ela o olhava surpresa, perdida nos olhos dele. A vontade de Snape era de beijá-la e seguir para qualquer lugar longe daquele corredor, mas não faria nada até que ela mostrasse alguma reação. Lauren, por sua vez, estava surpresa pela atitude dele, depois de ter lhe dito para esquecer o beijo. Talvez estivesse sob o efeito do álcool e no outro dia repetiria a mesma frase. Contudo, ela não estava disposta a perder a oportunidade de beijá-lo novamente, e já que aparentemente ele só estava esperando uma atitude dela, Lauren fechou os seus olhos e levou os seus lábios de encontro aos dele.
Não saberiam dizer por quanto tempo ficaram ali, ou ainda por quanto tempo ficariam. Snape deslizava uma das mãos pelo tecido fino, acariciando as costas dela, enquanto a outra a segurava pela nuca, guiando-a, para a lateral do corredor encostando-a na parede de pedra, apertando-a contra si, enquanto Lauren acariciava o tórax de Snape e, com a outra mão, o puxava pelos cabelos. Ocorreu em Snape o pensamento de que, eles ali estavam tal quais os adolescentes que ele próprio costumava tirar pontos das casas. Foram despertados pelos passos abafados por risadinhas de um casal de adolescentes, que se aproximavam do corredor.
– Siga e vire o corredor. – Foi tudo que ele Snape teve tempo de dizer a ela antes de separar-se e seguir o caminho para fora das masmorras.
Quando os adolescentes entraram no corredor ficaram encabulados por terem encontrado Lauren. Adentrou seus aposentos com o coração batendo quase descompaçadamente. Seu vestido, Lauren perguntou-se como os adolescentes não haviam percebido, estava completamente torcido e algumas mechas de seu cabelo estavam completamente aleatórias no penteado. Suspirou relembrando os momentos, o gosto dele ainda estava nela.
Snape seguiu para fora das masmorras, onde um McKeys com impaciência disfarçada agradeceu o frasco da poção. Passou pelos adolescentes, que pararam de rir tão logo avistaram o professor. Snape, contudo parecia inconsciente da presença deles ali.
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Diferentemente dos outros domingos, o castelo amanheceu vazio, com raros estudantes sentados a mesa. Até mesmo alguns professores não haviam seguido o horário normal – não obrigatório – e permitiram-se algumas horas a mais de sono.
Sentado à mesa dos professores, Snape percebeu que Harry Potter e a namorada – Ginevra Weasley – o observava. Já quase não restavam dúvidas que eles o haviam visto beijar Lauren na noite anterior e que logo a escola inteira saberia. Snape poderia ler a mente do garoto, mas tinha certeza que ele perceberia e, caso estivesse decidido a manter silêncio sobre o beijo, poderia contar, apenas por vingança.
O beijo da noite passada, Snape relembrou, fora diferente do primeiro. Apesar de inesperado, ele não fora impensado. Ao contrário, no decorrer do ano, Snape tentou vencer a vontade de beijar e ter Lauren junto a si novamente. Obrigou-se, contudo a admitir o desejo pela mulher, quando ele tornou-se forte o suficiente para roubar-lhe algumas noites de sono ou preencherem seus sonhos comumente turbulentos.
– Snape? – McGonagall chamou sua atenção – O que foi que aconteceu ontem à noite com Lauren?
– Como eu poderia saber?
– Ora é claro que sabe. Você estava sentado na mesma mesa, deve ter ouvido o que aconteceu. Nunca vi Lauren tão brava, nem mesmo com seu sarcasmo. – A diretora falou em tom zombeteiro.
Então era sobre Damon que ela estava falando. Snape olhou para a diretora prestes a lhe dar uma resposta extremamente ácida. Conteve-se, pois Lauren havia entrado no salão e estava próximo o suficiente para escutar. Ela sentou-se em seu lugar habitual ao lado de Snape, cumprimentado aos outros quatro que estavam à mesa. Serviu-se de cappuccino e pegou um muffin da travessa.
– É estranho ver o salão tão vazio. – Lauren comentou
– Estranho seria ver esse bando de adolescentes acordar cedo depois de passarem a noite toda fazendo tamanha balbúrdia.
– Não seja exagerado. – olhou para Snape sorrindo timidamente – Eles bem merecem uma distração depois de ter de fazer tantos pergaminhos de DCAT.
Snape retrucou a resposta e eles mantiveram uma breve conversa sobre as atividades da escola. Minerva pediu à Lauren para ir até sua sala mais tarde para conversarem. Queria ter certeza que Damon não estava passando dos limites, perturbando Lauren com suas investidas. A diretora percebeu na noite anterior que Lauren havia saído da festa extremamente irritada, todavia o bom humor dela pela manhã era contraditório. Minerva não compreendeu o motivo, mas percebeu o sorriso contido e o novo brilho no olhar de Lauren. Certamente algo havia acontecido.
Snape não deixou de prestar atenção em Potter até que ele terminasse seu café e rumasse em direção às escadas. Com a interrupção de Minerva, Lauren não continuou o assunto, ficando apreensiva sobre o que elas iriam conversar.
– Damon.
– O que disse? – Lauren olhou de Snape para as entradas do salão esperando encontrá-lo
– É sobre ele que McGonagall quer falar com você.
– Mas eu não tenho nada para fal…
– Ela quer ter certeza que ele não está assediando você. – disse sério, sarcástico
Lauren soltou um muxoxo em desaprovação. Não estava disposta a falar sobre Damon. As tentativas de evitá-lo estavam começando a afetar sua rotina, visto que ele aparecia nos mesmos lugares em que ela estava. Além disso, era estranho conversar com Snape como se nada tivesse acontecido na noite anterior. Lauren havia aproveitado o momento, sabendo que Snape poderia lhe dizer para esquecer novamente. Desta vez, porém não iria procurá-lo, deixaria assim.
– Oh, Lauren, você estava certa sobre a Convenção das Bruxas. – Hooch sentou-se chamando a atenção de Lauren. Foi realmente em 1426. Que boa memória a sua!
Lauren decorreu o assunto com Hooch até que acabasse seu café. Snape saiu logo após tomar o último gole de café em sua xícara e não ficou para assistir as conversas à mesa. Tinha uma pilha de pergaminhos das turmas do quinto ano que ainda não haviam sido corrigidos. O final do ano letivo costumava ser cansativo, neste ano, em especial, com o aumento do número de alunos (visto o alto número de desistências no ano anterior devido à ascensão de Voldemort) havia lotado a escola neste ano, praticamente dobrando o número de alunos. Não obstante, ainda era o encarregado de manter o estoque de poções da enfermaria. Suas tarefas como vice-diretor não eram de tamanha importância, embora quando as tinha, ocupava boa parte de seu dia. Era no início das férias que Snape deveria assinar e enviar as cartas para os novos alunos de Hogwarts.
Os corredores das masmorras, nesta época do ano, pareciam mais frios, devido ao sol que aquecia as grossas paredes de pedra, mas insuficiente para aquecer o ar que circulava pelos corredores, dando àqueles que caminhavam por eles, uma sensação de frescor. Ao passar pela porta da sala de Poções, Snape sentiu, escapando por entre as frestas da porta, um cheiro que ele reconheceria sempre. Respirou fundo e fechou momentaneamente os olhos, apreciando a fragrância e as lembranças que ele trazia e, após, perguntou-se porque, em nome de Merlin aquela fragrância estava ali, no corredor das masmorras. A resposta para sua pergunta era simples. Poção do Amor. A única coisa capaz de fazer com que ele se lembrasse de forma tão intensa do cheiro que Lílian tinha. Da mistura do cheiro de seus cabelos com o perfume que ela usava na gola do uniforme… de todo o conjunto; de Lílian.
Era por isso que Snape detestava poções do amor, especialmente daquela poção. Amortentia era uma poção que qualquer um possuía dificuldades em resistir. O cheiro era atrativo demais para que a pessoa ficasse tentada a beber uma dose significativa da poção. Poderosa o suficiente para enganar uma pessoa e fazê-la transformar seu amor por tal aroma em uma paixão avassaladora pelo autor da poção.
“É claro” – Snape respondeu a si mesmo – “Claro que conhecia o nome de Elisa. Como poderia ter esquecido aquela maluca… Do disparate que Florência Sholkys havia feito a ele tantos anos atrás?”
– Professor?
– Potter. – Snape virou-se, interrompendo o pensamento
– Eu poderia falar com o senhor, professor?
Já estavam próximos da sala. Entraram e Snape sentou-se em sua cadeira encarando o garoto que permanecia parado junto à porta.
– Eu só queria dizer que… – o garoto parecia não encontrar as palavras – obrigado. Eu trouxe de volta – puxou um frasco de dentro do bolso – Suas… Isto lhe pertence.
Potter caminhou em direção a Snape e, ao colocar o frasco com as memórias de Snape sob a mesa, virou-se e sem olhar para Snape saiu da sala, murmurando algo com as palavras “feliz” e “vida”. Snape não podia negar, estava surpreso com a atitude do garoto. Ser feliz. Aquela conjugação não parecia encaixar-se em sua vida. Lílian estava morta por sua causa, e ele jamais conseguiria ser feliz por causa disso. Jamais. Snape ficou observando o frasco com o apanhado de suas memórias, lembrando-se de cada uma delas, enquanto um dor no peito familiar o preenchia, até que, quase com lágrimas nos olhos, Snape pegasse o frasco e o colocasse na última gaveta. Ela não merecia. Ela era tão boa, tão especial. Ela era tudo que Snape possuía. Era um pensamento repetitivo. Mesmo depois de tantos anos, Snape não se conformava com o que acontecera a Lílian. Era um pensamento que o atormentava, latejava, lhe trazendo todo o ressentimento que guardara de si, durante tanto tempo. Felicidade? Não, ele não a merecia.
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8 comentrios | Comentar
19-10-2009 às 15:16
Aaaaaaaaaaah, como eu AMO essa fic! *-*
21-10-2009 às 12:00
Bem vinda! =D
03-11-2009 às 08:15
Ooo Camila, todo dia eu venho dar uma olhadinha aqui pra ver se já tem o Cap. 18…ce tá me matandoooo de ansiedade! =)
^^
13-04-2011 às 17:31
Não irá haver continuação?
13-04-2011 às 19:56
Olá, sim, vai. Já está escrito, mas não consegui terminar de digitar.
Quero aproveitar o feriadão da semana que vem. sério. ;P
Obrigada por acompanhar a fic *-*
26-04-2011 às 22:03
Nem preciso dizer que eu também espero ansiosa por esse novo capítulo!
25-05-2011 às 23:37
Meu amei demais essa fic!
12-01-2012 às 12:16
Olá! Olha eu aqui de novo.
Bom, esse será um comentário geralzão sobre tudo o que li.
Eu percebi uma melhora bem grande no ritmo de escrita, e a história está deveras atraente *___*
Eu ainda não imaginava qual o mistério por trás da Elisa, mas saquei assim que você começou a dar umas salpicadas de mistério, e achei interessante a premissa. (estranha, mas interessante)
eu fiquei pensando: “não acredito, cara… ela é (…) do (…) xD”
O relacionamento entre Severus e Lauren está se desenvolvendo de uma forma… irresistível, adoro ver a parte masculina dele “gritando”, mas cheguei a pensar que você não citaria Lílian, estava até achando estranho. Mas enfim tocaste no assunto, e aí eu voltei a reconhecer o Severus.
Ah! Tem uma parte na narrativa em que é citado que os dois estão em situação igual à que o próprio Snape detestava flagrar os alunos, ou seja, se agarrando em plenos corredores. Eu RI, porque pouco antes de ler esse trecho era justamente nisso que eu estava pensando. xD
Enfim, Camila, espero que esse (juntamente com meus outros caralhocentos comentários lá atrás) possam servir para te dar novo gás para continuar esta história, porque ela promete. Ficarei ansiosa no aguardo!